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Em Busca de Um Sentido

É segredo...

Num dia em que pouco tinha para fazer, com os meus catorze anos, recebi uma mensagem de um rapaz que eu não conhecia de lado nenhum. Por alguma razão dei-lhe conversa... Uma daquelas coisas de miúda que faz as coisas só porque sim e porque está aborrecida. Tinha a certeza que nunca iria conhecer aquela pessoa, mas naquele momento apetecia-me conversar...

Achei-o atirado, com a mania que era bom e engraçado... Como qualquer adolescente, fiquei interessada... Uma autêntica parvoíce. Como é que estava a ficar interessada em alguém com quem nunca iria poder estar?

A verdade é que daí surgiu uma amizade, visto que dificilmente poderia desenvolver-se um romance, por muito que de brincadeira alimentássemos essa ideia. Foram existindo uns namoros pelo meio, uns mais sérios que outros... Cheguei a achar que uma das relações que tive, que acabou por durar 3 anos e pouco, iria ser o resto da minha vida.

Várias foram as voltas dadas... Muitas coisas aconteceram que me fizeram acreditar que o melhor para mim seria virar as costas àquele rapaz que conheci online, visto que já não tinha mais 14 anos e que os anos foram passando sem nunca sequer lhe dizer um "olá" cara a cara.

No entanto, o tempo passou, e eu fui sempre ficando. Algo me prendia, mesmo que eu quisesse ter força suficiente para desapegar... Se eu nem sequer conhecia a pessoa deveria ser mais fácil, não é? E com este vai, não vai, com tantas histórias à mistura, eu fui-me deixando ficar até passarem 5 anos.

Conseguem acreditar? A tontinha que se achava super independente, que odiava rapazes, que era (e é) super melodramática, conseguiu manter-se a falar por mensagens com a mesma pessoa praticamente todos os dias durante 5 anos, sem nunca sequer sentir um abraço e a sentir-se cada vez mais conectada.

A verdade é que me mudei para Lisboa, com um bocadinho de esperança de ter aquele amigo na minha vida e deixar de lado a palavra "virtual" quando falava dele. Tudo aquilo me deixava nervosa, mas feliz ao mesmo tempo, porque era algo que eu queria muito e era uma pessoa especial para mim.

Estou há um ano e meio em Lisboa... Meio ano de namoro com esse rapaz que há quase seis anos se meteu comigo nas redes sociais. E sabem uma coisa? Estou cada vez mais apaixonada... Mas não lhe contem, é segredo.

Vergonha Alheia

Ultimamente tenho-me deparado com imensas pessoas a falar ao telemóvel de problemas familiares e super pessoais, quase aos gritos e quando alguém lhes pede silêncio ainda se indignam.

Será que sou só eu que sinto imensa vergonha alheia quando me apercebo do que está a acontecer? Já presenciei estas coisas no metro, nos correios, no supermercado, sendo que nos correios a senhora foi alertada e quase por vingança ainda começou a falar mais alto.

Admito, sofro do síndrome da coscuvilhice. Por vezes o meu dia está a ser tão desinteressante que até me calha bem ouvir toda uma novela mexicana. No entanto, não deixo de me sentir mal, porque embora saiba que Lisboa é enorme, também sei que o mundo é pequeno o suficiente para que um dia se esteja a conversar sobre algo efetivamente "secreto" no meio de desconhecidos e apareça por lá uma cara conhecida.

Por estas e por outras é que evito fazer chamadas em público. Isto de ser uma linguaruda qualquer dia sai-me mal e não quero ter que lidar com as consequências disso.

Ouvi "férias"?

Durante estes dias tenho estado em casa. Não, não estou doente. E não, também não estou em Lisboa. Estou em casa, casa. No meio do Alentejo, onde nada acontece - a não ser um sismo que me acordou e me ia matando de susto e uma escola secundária que fechou por tempo indefinido porque lhe faltam condições, a mesma escola onde algumas pessoas me ensinaram o que me permite ser o que sou.

Apercebi-me de várias realidades que na correria da capital me estavam a escapar. Não por eu ser desatenta, mas porque não parava tempo suficiente, uma vez que passava o dia numa correria imensa ou demasiado focada nos exames que tinha que fazer. 

A verdade é que quando não estou em tempo de aulas, é difícil tirar-me de casa... No entanto, isso implica que escrevo menos, fico mais preguiçosa, durmo mais durante o dia e passo a noite ansiosa. Apesar desta pausa letiva, tenho uma lista de coisas que gostava de cumprir, mas que parecem cada vez mais distantes, pela sonolência que se vai apoderando da minha pessoa.

A somar a isso tenho vontade de ler mais, mas cada vez que pego num livro vem-me uma vontade enorme de me virar para o lado e voltar a dormir. Ou seja, até a fazer algo que realmente gosto tenho vontade de dormir e deixar o dia passar sem que faça algo produtivo.

A grande questão é: estarei eu verdadeiramente cansada e a precisar de repor os sonos, ou sou uma eterna preguiçosa que precisa de uma rotina para fazer algo de útil para si própria?

Resumidamente, para além de vos estar a informar que estou finalmente de férias, quero também dizer que precisava delas, mesmo quando achei que estava em perfeitas condições para começar já o próximo semestre. Apesar disso, tenho que começar a repor energias, porque esta vida de alentejana está a dar cabo de mim.

Este é o caminho...

Algures na minha vida decidi que uma das melhores formas de desabafar é escrever. Aliás, não foi uma decisão que tomei do dia para a noite, foi algo que foi fazendo parte da minha rotina, desde que me lembro de saber ler e escrever.

Com o passar dos anos, as responsabilidades aumentaram e o tempo livre diminuiu. À medida que eu me tornei cada vez mais exigente com tudo o que assumia como meu, acabei por entender que me estava a afogar numa angústia imensa sem que houvesse justificação.

Eu era uma miúda com uma vida normal, que se focava bastante na escola e se esquecia de viver o que se passava à sua volta. Apercebi-me, já no secundário, que me fazia falta escrever, andar com o meu caderninho atrás e despejar tudo o que me vem à mente, nem que seja uma simples frase.

No 12º ano comecei a fazer voluntariado e entendi que essa era outra das peças que me fazia falta, porque me faz sentir útil, mesmo que por coisas bastante simples que acabam por marcar a diferença.

A tudo isto juntou-se a fotografia, nem sei bem como, nem porquê. Quando percebi a paixão era quase tão grande como a que sentia pela escrita. Por momentos, chegou mesmo a substituir a minha necessidade de escrever.

O primeiro ano em Lisboa foi complicado. Foi o ano em que cresci mais, aliado ao facto de ter feito algumas mudanças bruscas na minha vida. Desleixei-me na escrita, na fotografia e no voluntariado. Estive o ano praticamente todo bastante instável emocionalmente, cheguei a estar doente semanas seguidas. Nunca soube as razões de tanto alto e baixo.

Mudei de curso. Tenho o triplo do trabalho, escrevo, saio por aí a captar momentos e dou aulas uma vez por semana na Universidade Sénior, de fotografia.

Estou no fim do primeiro semestre do que considero que vai ser o resto da minha vida profissional, com pouco tempo para respirar, mas realizada e cada vez mais empenhada.

Onde está a miúda instável? Não sei, mas deixe-se estar onde ficou, porque estou a gostar bastante do rumo que tudo está a levar.

Dilemas Meus

Acordo com uma ansiedade que seria perfeitamente aceitável se não estivesse de férias. Olho-me ao espelho e rio. Qual é a necessidade de me sentir assim, se até começar o segundo semestre tenho todo o tempo do mundo para me preparar com calma, para respirar fundo e deitar fora toda a pressão que tenho sentido.

Vasculho os meus pensamentos mais profundos e encontro aquele que me está a deixar assim...

No decorrer dos últimos tempos tenho dado tanto de mim que fiquei exausta. Tenho até tentado fazer uma seleção, segundo prioridades que eu própria estabeleci, e aos poucos vou decidindo que tenho que aprender a ser menos dada, tenho que perceber que se ajuda caso nos peçam ajuda e apenas se entendermos que o fariam também por nós.

Soa egoísta e até um pouco infantil, mas às vezes canso-me de ficar para trás por meter tudo e mais alguma coisa em primeiro lugar... É como se estivesse sentada num banco, com a minha vida parada enquanto vejo o mundo correr à minha frente.

Penso que agora é hora de fazer algo por mim, pelos meus sonhos, pelas coisas que ambiciono alcançar... Um dia vou ter oitenta anos, vou ter os meus netos ao colo e vou querer ter o que contar. Para além disso, quero poder sentir que vivi tudo o que era suposto viver e orgulhar-me do caminho que acabei por percorrer.

Assusta-me pensar que posso estar a deixar escapar oportunidades incríveis por não me colocar em primeiro lugar, ou até por medo.

Embora saiba que este meu discurso de mudança se vai manter, reconheço que preciso de começar uma mudança interior, para que possa concretizar tudo a que me proponho... Falar é bonito, mas fazer já é mais complicado...

No entanto, parece que vou carregar pause assim que me surja a próxima preocupação...

E fico assim, com o meu dilema e com mil questões no ar.

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