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Em Busca de Um Sentido

Assusta-me a ideia de fim...

Algures na correria dos meus dias dou por mim a pensar no quão finito tudo o que me rodeia é. Um pensamento que me ocorre demasiadas vezes, bem mais do que aquelas que desejaria... 

Assusta-me a ideia de que um dia, vou acordar e não vou ter mais aqueles que amo por perto... Que vou querer ter um abraço e não vou conseguir alcançá-lo, por mais que me esforce.

Esta noção de efemeridade acaba por me deixar nostálgica e faz-me perceber o quanto poderia aproveitar mais tudo o que tenho e tudo aquilo que me dão... Mas quando analiso este meu pensamento com maior pormenor vejo que tudo o que tenho, dou... Parece que sou capaz de abdicar de uma quantidade infinita de coisas só para que os outros estejam bem.

Soa até contraditório alguém sentir que poderia aproveitar mais, mas ao mesmo tempo perceber que dá tudo de si... E acaba a assustar-me também esta ideia de que estou a deixar tudo escapar-me pelos dedos por ter uma necessidade gigante de chegar a todos e de agradar cada um que me é próximo.

Dispendo bastante energia num correr que chega a maratona, mas podia ser tão menos... Perco-me na dimensão da complicação que crio em mim e para mim. Sou o princípio dos meus problemas, ou pelo menos da maioria deles e quando me apercebo disso caio num abismo que achei nunca voltar a encontrar.

Só que a vida tem coisas destas... Surpreende-nos... Faz-nos ter a certeza de que nada neste mundo é certo. Nem mesmo o que temos por garantido.

A minha Véspera de Natal

Entre risos, doces e calor humano encontrei o espírito natalício que tinha deixado algures entre idas ao hospital e tardes de estudo que me pareceram infinitas, mesmo que o conteúdo reflita tudo aquilo que quero na minha vida.

Tenho a minha família por perto, nem que seja no coração... Isto mesmo sabendo que a avó, por teimosia, quis passar a noite de Natal sozinha.

Este Natal tem um sabor agridoce, porque embora seja o primeiro que vou passsar depois de perder o meu avô paterno, estou a passá-lo em casa, e não no hospital com o meu outro avô.

De Menino Jesus, como dizem as minhas avós, só peço saúde e força para que consigamos continuar esta caminhada de cabeça erguida e mãos dadas. 

Este ano iniciamos uma nova tradição, que pretendo que se mantenha. Visto que já não há crianças pequenas entre nós, fizemos Amigo Secreto. Vai ser giro, uma vez que neste momento ainda não chegámos à meia noite, e portanto, não se fez a troca de prendas.

A noite começou com a recolha de telemóveis, pelo meu pai, para que pudessemos conviver sem a interferência de telecomunicações... Embora isto tenha durado menos de duas horas, foi o suficiente para que se criasse tema de conversa para a noite toda e para que começasse um filme que estamos a ver em conjunto na televisão.

Tudo isto serviu para que o meu coração ficasse bem quentinho... É bom ver que apesar de todas as diferenças existentes entre nós, somos uma família unida.

Espero que isto se mantenha durante longos anos, mesmo que o meu espírito natalício apareça quase fora de horas.

No final das contas sou uma sortuda e sou imensamente feliz por assim o ser.

***

Entregues e abertas as prendas, com direito a papel de embrulho espalhado por tudo quanto é canto, posso dizer-vos que sou uma criança feliz. Pela prenda que recebi? Não. Pelas risadas que demos em família com as imitações que fizemos uns dos outros, para mostrar quem seria o dono da prenda que se tinha na mão... Até o meu avô, mesmo cansado, teve forças para imitar alguém.

Foi um dos melhores Natais que tive, por isto mesmo... Pela família que somos, pelo amor que transborda o meu coração... 

Sou feliz, e vou dormir feliz. A vocês desejo-vos um dia de Natal repleto de coisas boas!

Que assim seja...

Encontro-me sentada em frente de um dos homens que me viu crescer. Posso até dizer que foi e é uma das pessoas que mais me ensinou e continua a ensinar o que é ser-se humano. Sem estudos, sem saber escrever ou ler, é das pessoas mais humildes e sensatas que eu conheço. 

Queria não estar aqui. Queria estar em frente à televisão, com uma mesa cheia de livros, perto do vinho e da aguardente que ele próprio faz. Tudo o que tenho neste momento é uma cama de hospital, e a mão dele para me confortar, enquanto diz piadas para que eu fique menos preocupada. 

Tem mais de oitenta anos, e nunca usufruiu da reforma que tanto merece. Em ar de brincadeira digo-lhe que estes dias são só umas férias das abelhas, que são a sua paixão. Tudo o que eu quero é que ele fique bem, que ele fale do que é preciso para curar as diversas doenças que esses bichinhos irritantes têm, que ele me explique que as abelhas são como nós, simplesmente não falam. 

Podemos vir a passar o Natal por aqui... Mas que assim seja, desde que o resto do ano que aí vem o passe em casa, saudável e capaz de me contar tantas vezes quando possa tudo aquilo que me conta desde que eu sou pequenina e que eu continuo a ouvir e a questionar como se fosse a primeira vez.

Destino

Escrevi este texto já faz um bom tempo, e hoje releio-o e sinto que continua a transmitir a essência de tudo o que vou sentindo. Faz-me bem ver que apesar de todas as mudanças, o espírito de ir à luta continua em mim.

"Será que se deve acreditar em destino?

Sempre pensei que o nosso destino está já escrito e que, seja qual for o caminho, o fim será o que está já predestinado.

Nós passamos o tempo a tentar adaptar-nos a um mundo que criam à nossa volta, a tentar que gostem de nós, que nos aceitem, e no fim nós mesmos não nos aceitamos, não nos amamos e só queremos mudar para que nos queiram assim. Mas sabem o que acontece?

As pessoas nunca estão satisfeitas, o mundo não se adapta a nós e quando nós pensamos estar adaptados... Tudo muda. As pessoas são ingratas e o mundo só nos lixa de tão incontrolável que é. Quem o consegue controlar? Ninguém.

Acho que fiquei como o mundo. Este contacto permanente deve-me ter influenciado deixando-me assim (a pessoa mais instável do mundo). Sinto-me incompreendida e já não acredito em destino.

Quem foi o cabrão que disse que não sou capaz do que quero? Quem foi que disse que a minha luta vai ser em vão? A minha vida vai ser o que eu quiser fazer dela e se for preciso desafiar o próprio destino, eu vou fazê-lo. Até pode estar tudo escrito nas linhas das minhas mãos, nas estrelas que eu vejo à noite da janela do meu quarto, mas nem que eu tenha que fazer nas minhas mãos linhas novas, nem que eu vire astronauta e mude as estrelas de sítio, o meu destino vai ser aquele que eu quiser, eu é que escolho o que quero fazer e são as minhas decisões que fazem de mim quem sou. 

Quem disse que é proibido sonhar? Eu sonho, sonho tão alto... E o facto de não partilhar esses mesmos sonhos não faz com que eu não seja sonhadora, eu só não quero que mos roubem. 

"O que ninguém sabe, ninguém pode destruir" nunca ouviram? Se eu deixar de partilhar os meus objetivos será muito mais difícil que alguém me impeça.

E agora venha o cabrão do destino dizer-me que não sou capaz, que eu mostro-lhe o que é ser forte."

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