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Em Busca de Um Sentido

O momento certo, no sítio certo.

Num daqueles momentos de introspeção que tenho dei por mim a perceber o quão sortuda me posso considerar. Para além de estar na capital a realizar um dos meus maiores sonhos, estou rodeada de pessoas fantásticas que à sua forma me têm acrescentado de uma maneira inimaginável.

Não lhes digo tantas vezes como gostaria o quanto adoro tudo o que me proporcionam e o quando gosto de manter a ligação. Talvez isto aconteça porque a timidez vence, ou até porque o exteriorizar de sentimentos pode levar a que me tirem a minha realidade.

Nunca fui o tipo de rapariga que tem necessidade de falar o que lhe vai na alma, sempre tive o papel e a caneta. Guardava tudo no diário, ao fundo da gaveta, que permanecia escondido até que eu quisesse. 

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No entanto, os anos vão passando e eu percebo que faz falta olhar nos olhos de alguém e dizer "fazes-me bem". Preciso disso para mim, para agradecer, para dar a conhecer o lado emocional que parece ter estado guardado durante séculos.

As amizades que tenho neste momento podiam nunca ter acontecido se as circunstâncias fossem outras... Eu podia estar noutro lugar qualquer, num outro curso que me realizasse igualmente, mas estou aqui. 

Estou aqui e tenho que aproveitar, estou aqui e tenho o melhor que poderia ter, estou aqui e consigo ver o lado bom de Lisboa em pessoas que tal como eu se estão a adaptar.

Mais uma vez, dou por mim a escrever para simplesmente dizer que estou grata, tão grata... Lisboa tem sido uma agradável surpresa e tenho pena de até agora ter falado muito mais dos aspetos negativos... Lisboa é um bocadinho minha e eu sou um bocadinho dela. O momento certo, no sítio certo.

Um destino que escolhi e que me realiza a cada segundo.

Indiferença do Mundo

A indiferença que habita o mundo é algo que me incomoda de uma forma inexplicável. Tento ao máximo que me passe ao lado, que consiga viver a minha vida sem que me afete, mas não consigo.

Não são raros os dias em que vejo pessoas a ignorar situações em que deviam atuar e sei que, mesmo que faça por não questionar, os meus dias acabam por ser limitados por esses pequenos momentos. 

Lisboa, como eu tantas vezes digo, é um mundo à parte do meu, mesmo que seja um mundo a que eu me quero adaptar. É um mundo onde cada um luta com os seus próprios problemas e dificilmente se importa com a velhota que custa a carregar o saco das compras, com o cego que no metro vai contra a parede ou com a rapariga que vai a chorar de fones nos ouvidos.

Sabem o quanto tudo isso me assusta? Não é a primeira vez que falo aqui sobre isto, e acredito que não vai ser a última. Todas as semanas me deparo com algo novo, que me faz querer mudar o mundo, que me faz querer atuar, que me leva a pensar que integrar uma equipa que possa fazer algo, mesmo que mínimo, é uma boa ideia. 

Onde ficou a educação das pessoas? Onde ficou o bom senso? Onde fica tudo aquilo que o ser humano tem de bom? Expliquem-me, porque aos poucos estou a perder a esperança no ser humano.

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