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Em Busca de Um Sentido

Tudo me leva a ti...

Pouso o olhar no rio e de forma quase automática a minha mente enche-se com memórias de um amor que foi quase impossível e que tornei real. Tudo me dizia que era errado e hoje tudo tem o teu cheiro, tudo tem o teu brilho, tudo me lembra de ti.

Chego a parecer patética. Lutei contra os sentimentos mesmo sabendo que existiam. Talvez sempre tenham existido e hoje peço-te desculpa por tudo, tudo aquilo que me fez afastar. No entanto, sei que isto, tudo isto, é certo e aconteceu na sequência certa. 

Por vezes dou por mim a pensar que só sou o que sou porque tu existes na minha vida, porque apareceste no momento certo e me fizeste ver o mundo de outra forma. Contigo consigo ver o lado bom, mesmo sendo a pessoa mais negativa que conheço.

Acho que o Tejo passou a ser o maior testemunha do quanto me completas, do quanto me acalmas e mesmo quando estou no meu limite, basta que me dês a mão e me olhes nos olhos. Basta isso para que me encha de segurança e tenha a certeza de que tudo vai ficar bem.

Consigo quase prometer-te que tudo vai ficar como deve ficar, que vamos ser felizes e dias como estes vão ser infinitamente repetidos até que tenhamos vivido tudo o que era suposto. É só o para sempre que me assusta, mesmo que esteja implicito em cada declaração de amor que te faço. Vês como pareço patética? Sinto-me com 13 anos de novo, a acreditar em castelos e príncipes encantados. No entanto, deixo-te aqui, escrito para quem quiser ler... É tão bom acreditar em nós.

Aqui deixo o texto com o tema sugerido pela Only one Girl.

As palavras de uma idealista...

Sento-me e observo o que se passa à minha volta... Nunca tive por hábito parar para simplesmente olhar, desfrutar do mundo e respirar fundo. Cada vez mais me deparo com esta necessidade de agradecer, de me sentir grata por tudo o que conquisto aos poucos.

Nem tudo é por acaso, sabes? A vida vai-me ensinando que tudo acontece por uma razão, que nos faz falta a aprendizagem, a capacidade de aceitarmos as oportunidades que temos, mesmo que poucas. 

Somos nós que fazemos a oportunidade, basta termos os olhos bem abertos. Acho que é claro para todos que uma pessoa que vá à luta, que não se limite ao que lhe cai aos pés e ambiciona alcançar sempre mais, acaba por chegar mais longe do que aquela outra que fica na estação a ver o comboio passar.

Nunca fui de me conformar, mas há uns tempos era muito mais revoltada com tudo de menos bom que me acontecia. Lutava comigo própria e isso impedia-me de prosseguir com a minha vida. Ficava presa a sentimentos negativos e a ideias erradas do que é a realidade. Não me conformava, mas alimentava-me do que era menos bom para alcançar os meus objetivos.

Hoje consigo aceitar as condições em que tudo se encontra e uso-as a meu favor, pensando apenas no lado positivo. Aconteceu algo que vai contra aquilo que quero? Ótimo, quando tudo isto acabar, eu vou ser mais forte, vou ver as coisas de outra forma e enfrentar o mundo de cara lavada. Tudo me serve para aprender, para me moldar, para ser uma pessoa melhor. Quem me diz que não iria ser infeliz se tudo tivesse corrido como queria? Talvez quando chegasse lá ia perceber que estava verdadeiramente iludida.

Se a minha conversa soa às palavras de alguém demasiado idealista? Talvez. Admito. Passei de oito a oitenta. Passei de alguém que era super negativa, para a encarnação das good vibes. Acho que ultimamente se nota isso por aqui... Tudo o que escrevo vai ao encontro do quanto me orgulho da minha mudança, da adulta que estou a conseguir ser e da consciência do que é pertencer a um grupo de pessoas tão diferentes de mim.

Sei que continuo a ser uma adulta muito verde, falta-me amadurecer, ganhar calo, como se diz. No entanto, cada vez mais sinto que estou num bom caminho, que estou a seguir os passos certos e que tenho ótimos exemplos à minha volta.

Sabem que mais? Sinto-me feliz, deixem-me aproveitar.

Acerca dos incêndios...

Há anos que não vejo televisão, o pouco que vejo é às refeições caso alguma colega minha esteja a ver, quando vou almoçar na casa da minha avó ou quando entro num café com televisão. Mesmo quando tenho por perto esse objeto que nos lança imagens, acabo por me abstrair. Isto acontece por opção minha, tal como o facto de dificilmente procurar noticías ou abrir um jornal. Quem quiser pode chamar-me inculta, eu aceito, porque no fundo sei que o sou um pouco.

Raramente sei o que se passa no mundo, ou até mesmo no país, a não ser que seja uma situação drástica, a não ser que seja algo que corre de boca em boca até chegar a mim. Há quem me pergunte vezes sem conta o porquê, e eu respondo a rir "gosto de ser feliz na minha inocência". A verdade é que sou uma pessoa demasiado sensível, a todos os niveís. Tenho a capa de durona, mas deixo-me levar por sentimentos e histórias de vida. Às vezes não conheço as pessoas e dou por mim a viver a sua vida na minha mente e a sofrer por isso.

Foi e é o caso dos incêndios. Faz uma semana... Portugal era o inferno na Terra e eu vivia a minha vida de universitária. Pessoas perdiam as suas casas e eu estava no conforto da minha. Humanos morriam e eu estava ali, a viver a minha sorte. Sorte por não viver lá, sorte por estar segura, sorte por tudo.

Soube dos incêndios muito depois da altura mais crítica. Soube dos incêndios porque havia a probabilidade de familiares de conhecidos estarem lá. Soube dos incêndios porque o terror era tal que por todo o lado se falava nisso, por todo o lado existiam fotografias.

Foram vários os testumunhos que li. Foram imensas as fotografias chocantes que vi. Eu não conhecia ninguém que estivesse a sofrer diretamente com tudo o que se passou, mas fiquei mal ao ponto de parecer que estava a viver aquilo. Parecia que era a minha casa, a minha família. Várias foram as vezes em que os meus olhos se encheram de lágrimas. 

Apesar de me doer, dói mil vezes mais a quem lá estava... Por muito que queira falar, sei que não há palavras para consolar centenas de famílias. Só posso dizer que lamento muito. E acrescento um pedido de esperança de que algo irá ser feito para repor ao máximo todas as perdas materiais, porque infelizmente as vidas já ninguém as devolve.

O tempo perde-se em mim...

O tempo perde-se em mim... Ou será ao contrário? Perco a noção dos segundos, até mesmo dos dias e mantenho-me aqui, assim. Vou imaginando tudo aquilo que eu gostaria de ter na minha vida e percebo que tenho o que me faz sentir verdadeiramente realizada.

Não me contento com qualquer coisa, mas em mim existe aquele brilho de quem encontrou tudo o que é certo para o momento em que vive. O carinho corre-me no sangue e percebo em cada sorriso que esboço que sou genuinamente feliz com tudo aquilo que faz parte do que vivo.

O tempo perde-se em mim... E eu perco-me nele. Deixo-me levar pelas sensações e pelo instinto e percebo que talvez tudo tenha valido a pena até este dia. Todas as lágrimas, todas as noites mal dormidas, tudo o que gritei, todos os amores e desamores, tudo o que faz parte do meu passado e que me permite conhecer a pessoa que sou. 

Não me deixo iludir pelo que é belo, pelo menos não o faço normalmente. No entanto, a simplicidade da conexão com o meu mundo faz-me sentir poderosa... E este poder nem sequer é algo negativo, é algo meu que me permite tomar as rédeas do que creio, quero e crio.

O tempo perde-se comigo... E eu deixo que se perca, porque eu sou o mais importante.

O momento certo, no sítio certo.

Num daqueles momentos de introspeção que tenho dei por mim a perceber o quão sortuda me posso considerar. Para além de estar na capital a realizar um dos meus maiores sonhos, estou rodeada de pessoas fantásticas que à sua forma me têm acrescentado de uma maneira inimaginável.

Não lhes digo tantas vezes como gostaria o quanto adoro tudo o que me proporcionam e o quando gosto de manter a ligação. Talvez isto aconteça porque a timidez vence, ou até porque o exteriorizar de sentimentos pode levar a que me tirem a minha realidade.

Nunca fui o tipo de rapariga que tem necessidade de falar o que lhe vai na alma, sempre tive o papel e a caneta. Guardava tudo no diário, ao fundo da gaveta, que permanecia escondido até que eu quisesse. 

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No entanto, os anos vão passando e eu percebo que faz falta olhar nos olhos de alguém e dizer "fazes-me bem". Preciso disso para mim, para agradecer, para dar a conhecer o lado emocional que parece ter estado guardado durante séculos.

As amizades que tenho neste momento podiam nunca ter acontecido se as circunstâncias fossem outras... Eu podia estar noutro lugar qualquer, num outro curso que me realizasse igualmente, mas estou aqui. 

Estou aqui e tenho que aproveitar, estou aqui e tenho o melhor que poderia ter, estou aqui e consigo ver o lado bom de Lisboa em pessoas que tal como eu se estão a adaptar.

Mais uma vez, dou por mim a escrever para simplesmente dizer que estou grata, tão grata... Lisboa tem sido uma agradável surpresa e tenho pena de até agora ter falado muito mais dos aspetos negativos... Lisboa é um bocadinho minha e eu sou um bocadinho dela. O momento certo, no sítio certo.

Um destino que escolhi e que me realiza a cada segundo.

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