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Em Busca de Um Sentido

Mundos Meus

Ataco as palavras de forma tosca,

Pareço quase uma louca insensível.

Acabo por entender que no meio desta luz fosca,

Eu não passo de um ser invisível.

 

A minha invisibilidade leva-me a um novo mundo,

Mundo esse em que sou livre de sentimentos,

Em que não existe um poço sem fundo,

Em que os minutos são meros momentos.

 

Mas multiplicam-se os momentos,

acumulam-se as memórias...

No fim confunde-se ficção com sentimentos,

Baralham-se vidas e histórias.

 

É nas histórias que me perco,

Aí sou eu sem ser alguém.

Em todos os livros por que me cerco

Sou uma personagem e no fundo não sou ninguém.

 

Todos somos um ninguém.

Uns iludem-se como privilegiados,

Outros sabem que nunca são alguém,

E eu deixo os meus pensamentos serem influenciados.

 

Talvez as influências parem,

Talvez as essências se revelem...

Um dia pode ser que reparem,

Um dia pode ser que as bocas se selem.

Sorrir para a vida!

Hoje venho com um pedido. Talvez não seja para todos, mas será para alguns, e isso fará a diferença. Levanta-te. Vai ao espelho. Sorri para quem vês e volta. Apesar de já ter feito um pedido idêntico noutro post, verás que o meu objetivo é diferente.

Já está? Percebeste a mensagem? Todos gostam de receber um sorriso, e mesmo que estejas triste, ou com uma mera desilusão devido a mais uma partida da vida, pensa que o teu sorriso pode fazer a diferença no dia de alguém. Eu gosto de sorrisos, dou tudo para ver um sorriso. Mesmo que penses que não, o ato de sorrir torna-se contagioso.

Confia, chegarás lá!

Hoje tenho uma vontade imensa de escrever... Talvez seja este aperto no coração, juntamente com o facto de estar aborrecida, que me fazem vir escrever e encher páginas e páginas no fundo da gaveta. Na realidade, essa gaveta acaba por se despejar, porque acho que falta sempre algo naquelas páginas rasuradas, que têm tanto escrito, mas acabam por ser insuficientes.

Voar e deixar voar...

Quantos de nós já nos deparámos com aquele tipo de pessoa que acha que o mundo alterou a sua órbita e viraram o Sol?

Lamento informar que, por muitas purpurinas que utilizem para se enfeitarem, nunca brilharão tanto como essa tão linda estrela... O brilho do Sol vai sempre ofuscar essa falsa importância. Querem que vos fale das leis da Física que tornam possível virar o centro do Sistema Solar? Consiste em aumentarem a vossa massa corporal para números demasiado elevados para a vossa preciosa linha, aquela que pretendem manter. E sabem que mais? Comparados com o Sol, todos somos menos do que aquela pequena formiga atarefada que todos os dias se esforça para sobreviver entre nós.

Tenho-me vindo a deparar com inúmeras situações em que gente insignificante vive com o rei na barriga, pensando eles que são mais que os outros. São mais porque têm um cargo mais alto, são tanto porque ganham outro tanto por mês, e depois esquecem-se que se ganham mais e têm uma posição mais alta é porque, supostamente, alguém achou que eram responsáveis para tal. Se chegam ao céu é porque alguém vos deu asas para voar e ainda se deu ao trabalho de vos ensinar como o fazer. Não ganham nada que não seja merecido, mas não se esqueçam que há alguém por detrás.

Mais uma vez, venho lamentar... Lamentar que nos digamos tão inteligentes, tão adultos, tão enormes, tão tudo, e nos falte humildade para admitir um erro ou para reconhecer que não é preciso gabar inúmeras qualidades se realmente as temos. Tudo o que são virtudes acabam a ser reconhecidas.

Ainda hoje, passados quase dezanove anos desta minha tão atribulada existência, questiono a arrogância de tantas pessoas que tinham tudo para ser adorados e se tornam detestáveis só porque vivem com a ilusão que são muito importantes e que todos devem perceber isso. Vá... Venham dizer que sou apenas uma miúda com a mania que sabe muito... Força! Apenas não me calem! Deixem-me dizer o que tenho a dizer, só vai ler quem quiser ler. Quanto maiores queremos parecer, mais pequenos vamos ser. Rescrevam o que está aqui dito! No fim das contas eu vou ser aquela que tinha razão e depois de tantos erros na vida não vou ser menos certa. Vocês sabem disso, certo?

Vocês sabem que por muito jovem que pareça, quando quero até tenho a noção do que é o mundo. E o mundo não é a luta cega que tanta gente pensa, é mais a entreajuda que todos evitam, uns porque querem dizer "fiz sozinho, sou mais forte, ganho mais e aquele fica sem nada", outros por orgulho e ainda há aqueles que são apenas demasiado preguiçosos.

Vivo com esperança que todos aqueles que se sentirem ofendidos com o que escrevo entendam que isso tem razão de ser. Como alguém que conheço diz: ponham a mão na consciência, algo está errado. Não são só as crianças que têm de crescer, o que as crianças sabem é à custa do que os adultos ensinam. E eu sei que, embora muitos se esqueçam disso, se jovens como eu pensam assim, muitos adultos o pensarão também. Assim sendo, de que estamos à espera para nos juntarmos na luta que é melhorar o mundo? Há que dar o exemplo e nunca será tarde demais, todos os dias são uma nova oportunidade. 

Carta de Despedida

Durante muitos anos não consegui aceitar que te tivesses ido embora. Achei extremamente ridículo que virasses assim as costas a quem não teve culpa das decisões que tomaste e que fizeram com que a vida tomasse proporções que não te agradaram. Eu era apenas mais uma inocente no meio de tudo o que se passou.

Acreditas que cheguei a achar que um dia, por milagre (ou azar), tu ias entrar no sítio onde eu estava? Quão estúpida pode uma criança ser?

Na minha imaginação ias aparecer na escola e pedir-me que te perdoasse, que tinhas precisado de tempo para pensar, mas que a culpa não tinha sido minha. Criava diálogos entre nós. Queria e precisava de ter um discurso preparado para o dia em que tu decidisses que era hora de voltares.

Essa hora nunca chegou. Mas tu precisavas, ou precisas, de ouvir algumas coisas, o que fizeste foi totalmente errado e sem nexo. Não tens razão.

Esse tempo em que criei o momento do regresso passou. Cresci, sabes? Deixei de gostar da ideia de falar contigo, afinal de contas tinhas mais do que idade para perceber os erros que cometeste. Cheguei a jurar que te odiava, que nunca mais ia querer falar contigo, porque me tinhas abandonado. A mim, que era uma criança. Mesmo que voltasses não merecias uma única palavra minha.

Mas explica-me... Como te podia odiar, se nem foste capaz de me dar tempo para eu te amar? E eu com tanto amor para dar... Saíste da minha vida e deixaste-me desorientada, não por sentir a tua falta, mas por não encontrar sentido na atitude que tiveste, por não saber se valia a pena confiar noutra pessoa para me educar. Sabes que essa era a única obrigação que tinhas, não sabes?

Durante anos via-te em cada homem que passava na rua. Podias ser qualquer um. Comecei a ter um medo doentio de sair de casa. Chorava, tinha ataques de pânico, não dormia. Hoje sei que a culpa foi sempre tua e das memórias infelizes que me deixaste.

O pânico deu lugar à maior incompreensão que vou sentir em toda a minha vida, e essa vem acompanhada da pena. Sim, eu tenho pena. Mas não de não te conhecer, nunca serias capaz de acrescentar algo bom na minha vida. Tenho pena de não me conheceres, para perceberes o que perdeste na tua vida.

Entretanto, passou mais de uma década. 

Tornei-me mulher. Até dizem que sou bonita e inteligente. "Coitada, não sabe a sorte que tem" repetem vezes e vezes. Perdi-lhes a conta. Não faço caso. Nunca ligo ao que me dizem sobre mim, muito menos quando não o sinto. 

Comecei a ter a certeza que nunca mais te vou ver. Aliás... Caso te veja não vou ser capaz de te reconhecer entre todos os rostos que foram substituindo as poucas memórias que tinha tuas. No entanto, cada vez que percebo que falam de ti estremeço e fujo. É nessas alturas que sinto que ainda tenho quatro anos num corpo de dezoito. Choro. Choro muito. Mas não deixo que saibam. Se por um acaso da vida te deparares com isto, não contes a ninguém, pode ser? Deves-me mais do que isso, mas é a única coisa que te cobro.

Apesar de tudo e mais alguma coisa de mau que me deste, incluindo o facto de por vezes me sentir vazia, graças a ti aceitei o que é ser diferente, cresci sem ter qualquer preconceito. Também me tornei um bocadinho mais humana, porque o resto deu-me a minha mãe, aquela que nunca me deixou sozinha e lutou por mim.

Despeço-me de ti para sempre, agradecendo-te apenas uma coisa. Obrigada por me teres servido de exemplo para saber aquilo que jamais vou ser. Eu não vou ser cobarde, nem vou desistir de mim, porque isso jamais me faria feliz, tal como não te fez a ti. 

E só mais uma coisa... Se pensares em voltar, não voltes. Somos felizes sem ti. Há alguém que nos deu o amor que tu nunca tiveste coragem de dar. É o meu pai. É o meu herói da vida real. Devo-lhe tudo.