Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Em Busca de Um Sentido

Ainda acham que há liberdade...

Sento-me. Reparo na calma que a brisa me transmite. O Sol, que me aquece a pele, faz com que volte à menina que outrora fui. Esse tempo em que o meu dia se resumia a sair à rua e correr sem destino... Esse tempo em que a minha felicidade era proporcional à quantidade de Sol que a minha pele recebia...

liberdade

O vento nos ramos das árvores lembra-me o mar... Imagino a praia. No entanto, esse pensamento é cortado por outro som. Um ruído. Serão feras? Parecem-me feras... Apressadas... Os seus rugidos estranhos... Tomo atenção e percebo que são apenas carros.

Quando virão as mudanças?

O tempo passa por mim
Quase tão rápido quanto o vento...
Eu gostava que deixasse de ser assim
E que tudo fosse mais devagar, mais lento...

Sei que não sou eu quem escolhe,
Simplesmente quero mudanças...
Mas como quem semeia também colhe,
Com tudo o que fiz, não tenho grandes esperanças...

Sinto-me amarrada a um passado sem futuro,
Quero seguir em frente, mas tudo me impede...
Tenho o caminho cortado com um muro,
E por mais que queira, esse muro não cede...

O passado a cada segundo renasce,
Quando o enterro, ele desenterra...
E por mais que eu não o ache,
Ainda há quem diga que sou eu quem erra!

Não digo que esqueci,
Mas não quero reviver o que já vivi,
Principalmente porque tudo o que sempre mereci,
Nunca mas nunca o recebi.
 

Porquê uma rotina?

Em algum dia daquilo a que chamas de "minha vida" já te questionaste do porquê de te entregares dessa forma tão pouco natural a algo demasiado banal como a tua rotina diária?

Acordas, comes, sais de casa, lidas constantemente como o mesmo círculo de pessoas, voltas para casa, planeias o dia seguinte, comes e vais descansar. Depois repetes. 

A verdade é que o sentido da vida que levamos diariamente não está nos hábitos, mas sim na quebra deles, nas pequenas coisas que diariamente fazem com que tenha valido a pena sair da cama.

Não vamos agora começar todos a quebrar rotinas e a desistir do que nos garante um futuro, não é? No entanto, tu sabes que um gelado enorme, numa boa esplanada, ao fim de um dia cansativo, te sabe pela vida toda. Tu sabes igualmente bem que quando te sentas a meter a conversa em dia com alguém que não vês há muito tempo acabas por ir dormir a sentir um grande alívio.

O importante é não integrar esse momento no nosso dia a dia, porque vai tornar-se uma rotina e acaba a tornar-se mais uma daquelas obrigações diárias que te aborrecem e que muitas vezes pensas que é só mais uma chatice e podias ir diretamente para casa. 

Por outro lado, não podes ignorar aquele sentimento de satisfação quando vês alguém que não conheces a precisar de ajuda e vais lá ajudar. No fundo, sabes o quanto é importante para ti fazer os outros sorrir, sentires-te útil. 

Mas se assim é, porque te esqueces disso? Nesta correria louca que é a tua vida esqueces-te de dizer aquela palavra bonita que pensas, mas não enuncias por achares que cai mal, esqueces-te que um ombro amigo faz falta aos outros também, esqueces-te que sorrir aos outros é importante para ti também, porque ao veres o sorriso que te devolvem sentes-te mais feliz...
 
Esqueces-te que tu precisas de te sentir útil para que a tua rotina diária valha a pena.
 
Do que estás à espera para começares as mudanças no teu dia-a-dia desde já? Sente-te útil.

Verdade acima de tudo!

Porque é que as pessoas insistem em mostrar uma coisa e serem outra? Imagino o trabalho que não dá terem que se esforçar por encarnar um papel de forma a que se pareça verdadeiro... O problema é que uns são melhores atores do que outros, e nem todos são parvos ao ponto de cair nas conversas que tão bons atores fazem.

Tu, que queres ser algo que não és, explica-me... Sentes-te feliz a enganar os outros? Não te pesa a consciência quando à noite te deitas e sonhas com o mal que fazes?

Equilíbrio

Cada vez mais acho que a vida se encarrega de nos mostrar a realidade das coisas. Nada nos é escondido e cabe a cada um ver a sua verdade, o seu mundo. Por vezes, é fácil notarmos nas coisas que estão mesmo debaixo do nosso nariz, outras nem por isso. No entanto, isso não significa que não estão lá.

Confesso que às vezes não quero ver o meu mundo, protejo-me e finjo que acredito em tudo o que me rodeia. Deixo as coisas andar, porque é mais simples fazer isso. Torna-se menos um peso se acreditar que todos são bons, que vai correr tudo pelo melhor, mesmo quando há algo que me mostra que há pessoas que a fazer para que as coisas corram mal.

Eu não sou cega e quanto mais me tentam enganar mais eu me calo, não por continuar a confiar, mas porque já não me importo mais. Chego a um ponto que já não quero saber, cada um faz o que quer da sua vida e as coisas só me incomodam se eu deixar.

Chateio-me demais, é verdade, eu sei disso. Mas a minha irritação, a maior parte das vezes, não é com os outros. É comigo mesma. Eu chego a um ponto que expludo. Não aguento mais fingir que não vejo, que está tudo bem e que as pessoas me querem bem. Há pessoas que são mesmo más, e eu não posso fazer nada para mudar isso, só consigo afastá-las da minha vida.

Chego a parecer doida, mas há alturas em que tenho que deitar tudo cá para fora. Caso eu não o faça, corro o risco de deixar de me sentir minimamente equilibrada e neste momento o que mais prezo é o meu equilíbrio.

Pág. 1/3