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Em Busca de Um Sentido

FACULDADE | O primeiro impacto... Dia 2

Na terça-feira, de manhã, o carro não quis pegar. Tentámos de tudo, não dava. Felizmente, o meu pai tinha cabos de bateria para ligar o carro a outro para que ele trabalhasse e durante o resto do dia o carro não falhou mais.

Fomos diretos ao edifício onde se tratam dos passes. Depois de milhões de voltas, lá encontrámos o raio do edificio. Eu já dizia que não queria mais estar em Lisboa, queria o meu querido Alentejo. Pode ser sossegado demais, mas não há nada como esta calma.

Chego à fila e quis jurar para nunca mais aparecer ali. Dez da manhã e tinha cerca de quarenta pessoas à frente. Diziam que ainda ia durar duas horas. Lá esperei. Realmente demorou esse tempo todo, mas fomos conversando e planeando coisas para fazer e o tempo passou num instante. Chegou a minha vez e consegui deixar cair meia dúzia de coisas no chão. Só a mim... 

Dali fomos à residência buscar as chaves. Oitavo andar. Eu vivo num rés do chão. Só pensava que ia morrer ali, dentro de um elevador minúsculo. "E se isto para? Faço o quê?".

Tenho-vos que dizer que, fora esse pequeno (é mesmo pequeno) pormenor, adorei. Adorei a senhora que me atendeu, adorei a vista do terraço (sim, invejem-me que eu não me importo), adorei o facto de ser um espaço pequeno, mas com espaço suficiente para tudo e para todas (ainda somos algumas raparigas). Adorei. Perfeito para mim. Quando me apercebi da localização do prédio fiquei mais feliz ainda, tenho tudo ali ao pé: metro, hipermercados, lojas, restaurantes baratos. Ótimo.

Quando saí dali, só queria voltar para a minha casa. Era tudo ótimo, mas eu estava demasiado cansada. Precisava de parar um bocado. Lembrei-me! Tinha a entrega do diploma na escola às cinco e meia da tarde.

Cheguei a casa às cinco, tive tempo de tomar banho, maquilhar-me, vestir-me de forma mais arranjada (admito, sou muito desleixada, mas hoje soube-me bem). Cheguei cinco minutos depois da hora, mas no segundo em que realmente começou. Correu tudo bem e revi amigos que não via há três meses. Aquela escola vai deixar saudades.

Conclusões deste inicio de semana:

1. Vou passar da paz e sossego de um rés do chão, em pleno Alentejo, para a confusão a que tem direito um oitavo andar numa das avenidas mais movimentadas da capital.

2. Nunca mais vou dizer que quero sair do Alentejo, isto é que é bom. Tudo com calma. Pressas para quê, gente?

3. Estava muito nervosa, tremia demais, e agora só quero que seja domingo para ir conhecer a cidade e adaptar-me o mais rápido possível.

4. Os meus colegas parecem-me fantásticos e as praxes não podem ser assim tão más.

5. Uma mulher pode estar linda depois de meia hora para se arranjar. Quem disse que não? 

6. Isto é real. O diploma prova-o. Terminei o secundário com 18 valores e eu mereço isto. Eu mereço sair à busca de um sonho. Afinal não ando em busca de um sentido?

Esperem por cenas dos próximos episódios, porque certamente vão existir!

FACULDADE | O primeiro impacto... Dia 1

Isto é real... Eu sou oficialmente caloira na Universidade de Lisboa! Papéis assinados e tudo! Como é que passei do 10º ano para a faculdade assim? Não dei pela passagem do tempo...

Confesso que de domingo para segunda dormi pouco. Quando eu digo pouco, refiro-me a cerca de duas horas. Estava ansiosa, com medo, queria que tudo corresse bem e passei a noite a pensar em possíveis cenários de as coisas correrem pelo pior ou pelo melhor.

Por volta das oito horas estava a sair rumo à capital. Dormi no caminho, mas mais uma vez eu não estava descansada. Queria absorver tudo. Imaginem que acordava e era tudo um sonho? Não podia dormir.

Às dez em ponto, depois de andar às voltas por Campo Grande sem achar o caminho certo e com um trânsito horrível, começo a ver a Cidade Universitária. Fascínio é o sentimento mais próximo daquilo que eu senti. Era real. "Eu venho estudar aqui?" era só o que pensava...

Estacionou-se o carro e fomos todos para o sítio onde era para fazer as matrículas. Éramos quatro. Sou alentejana e basta. Precisamos de apoio psicológico para tomar grandes decisões, senão a sombra do sobreiro é sempre melhor. (Estou a exagerar, como é óbvio.) Era suposto sermos cinco, mas o meu irmão previu que a situação fosse ser demorada... Ficou em casa.

Entro no edifício e espero. Uma rapariga mete-se comigo. A conversa flui e percebo que o procedimento de matrículas no meu curso é diferente e vai demorar menos, isto porque teremos aulas de várias áreas e não pertencemos a uma faculdade específica. Somos o único curso assim na universidade, pelo que percebi. Chamam a rapariga e eu penso "sou a próximo, estou lixada". Já disse que estava muito nervosa?

Enquanto esperava troquei olhares com a minha mãe e ia sorrindo, não queria que percebessem que estava demasiado nervosa. Tudo se faz, não é verdade? O meu processo de pensamento tornou-se lento, muito lento. Para ser sincera (ou não), eu não pensava muito, só coisas aleatórias "isto é real, não é um sonho, oh meu Deus quero fugir, espero que não me praxem já" a lista podia continuar. Coisa pouca, portanto.

Chamaram-me para um computador. Os funcionários foram super acessíveis, mas eu estava lenta demais e chamei-os bastantes vezes. Tinha medo de errar. Acho que é normal. Dentro de limites aceitáveis. 

Matrícula feita. E agora? Uma fila. Pequena, mas estive lá uma hora. 

Lá estava aquela rapariga outra vez. Meti-me com ela. Não custou assim tanto! Quando dei por mim olhei para os meus pais e a minha irmã, sentados longe. Olhavam para mim e sorriam. Eu estava a integrar-me e já conversava com três colegas de curso. Eu própria estava orgulhosa da minha atitude. 

De repente chegam duas raparigas perto de nós. Dirigem-se a mim. "Como te chamas? És de Ciências da Saúde, certo?". Eram do último ano. Acabaram a falar com todos, tiraram-nos dúvidas e andavam a recolher contactos para organizarem o dia da receção. Fiquei descansada, afinal também os mais velhos, os ditos "veteranos", eram simpáticos e super acessíveis.

Ao terminar tudo o que havia para fazer despedi-me dos que ainda estavam ali e dirigi-me à zona para efetuar o pedido para residência universitária. Era uma hora da tarde. O tempo passou a correr. Para mim, porque quem me acompanhava não achou assim tão pouco tempo.

Não vou mentir. A sala estava cheia. Todos andavam de um lado para o outro. Cheguei a pensar que ia embora sem sítio onde dormir na semana seguinte. No entanto, ao fim de três horas eu saí com contrato feito e preparada para ir buscar as chaves.

Não podia, a senhora que as tinha já só voltava na terça de manhã. Entretanto faltava-me um papel para tratar do passe de metro. Lá voltei ao sítio das matrículas e fiz tudo certinho.

Saí às cinco e tal da tarde, sem comer mais do que algumas bolachas. Pelo menos tudo o que podia fazer ficou feito.

Decidimos que ainda não íamos embora, queríamos saber onde era a casa. Perdemo-nos. Desde indicações do GPS erradas, a sentidos proibidos, a obras nas estradas, tudo aconteceu. Por volta das seis achámos a casa. Gostei. Mas ainda só tinha visto por fora.

Acabei a dormir no Montijo, em casa de familiares. Terça-feira havia mais!

Nascer ao som de Elton John

Boa tarde! Hoje não planeava vir escrever, mas após ver este post, no blog Quiosque da Joana achei que não podia deixar passar em branco a oportunidade de partilhar com vocês o que se passou.

No post da Joana podem encontrar um site que revela qual era a música mais tocada nas rádios no dia em que nasceram. Assim sendo, curiosa como sou e sendo eu amante de música lá fui eu. Qual não é o meu espanto quando me deparo com esta música:

Corram atrás da vida, ela não espera!

Quantas vezes já te perguntaste se este é o caminho certo? Sabes que amas o que fazes e que de certa forma o mundo que te rodeia fascina-te, mas está lá essa insatisfação que tão vulgarmente denominas de: instabilidade. Achas mesmo que és instável? Por favor... Alguém instável não chega onde tu és capaz de chegar. Vês o caminho que já percorreste? Ou preciso de te relembrar?

Alcança os teus objetivos!

Ultimamente tenho interrogado milhões de coisas, virei quase polícia e ando a investigar quais são as ideias corretas e aquelas com que eu não concordo. Um dos assuntos que me tem intrigado é esta constante luta das pessoas para mostrarem algo que não são e continuarem a esconder o que pensam para serem aceites nesta sociedade que mais parece não se aceitar a si própria. Se não se concorda, diz-se isso, só têm que nos respeitar.

Confesso que já fui assim e penso que cada um de nós em alguma altura já o foi. Ninguém é perfeito, é certo, mas se sabem isso, porque não aceitam a vossa imperfeição?