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Em Busca de Um Sentido

Qui | 18.08.16

Uma Carta ao Passado

Passado, meu tão odiado passado,
 
Escrevo-te para te dizer que hoje não me apetece odiar-te, nem mesmo amar-te... Não me apetece sentir nada em relação a ti.

Vais zangar-te comigo? Já não me importo. Hoje digo-te com orgulho que me és indiferente na tanta diferença que fizeste.
 
Olho para trás e vejo as diferenças. Será que notam o quanto cresci tanto quanto eu? Nem falo de um crescimento físico, porque isso vê-se sem ser necessário tomar atenção, e a verdade é que de tão desnecessário que é todos se esquecem de o fazer... Será que só eu percebo o quanto o meu pensar se alterou? Alterou tanto que imagino pensamentos antigos como se se tratassem de ideias alheias a mim.

Informo-te que não me atingiste da forma que querias, não me deixaste fraca. nem me metes medo, já não quero fugir de ti... Hoje falo de ti e rio, sorrio, mesmo quando todos me acham louca por te aceitar, por assumir que exististe. Eu não tenho vergonha de ti, entendes? Eu orgulho-me de teres sido a minha vida naquele momento tão distante que parece duma outra vida, mas num tempo em que me fizeste ver que estava a viver uma vida que não era a minha.

Cresci tanto graças a ti, dá para acreditar? Quando eras presente eu tentava afastar-te, tenho essa noção, ambos sabemos o quanto me fizeste sofrer, mas agora, meu tão odiado passado, eu compreendo que foste bom para mim, demais até. Graças a ti serei uma mulher, uma grande mulher, assim espero...

Explica-me, numa resposta vaga se quiseres, mas diz-me... Porque é que todos te odeiam? Porque odeiam tanto os adultos falar do passado? Porque é que eu, mesmo dizendo não te odiar, continuo a mencionar-te como odiado?

Termino dizendo-te que hoje é o dia em que te liberto, em que o meu coração vai ficar livre de ti, por isso podes parar de me assombrar.
 
Agradeço-te pela tua existência e assim me despeço,
Um beijo, meu nada.
 

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