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Em Busca de Um Sentido

Sex | 10.11.17

Querido avô...

Queria estar a escrever-te neste momento para te dizer que dói menos... Queria dizer-te que sou forte, que aguento a tua ausência, embora não te esqueça... E sinto-me fraca, tão fraca, quando tudo o que te posso dizer é que me custa ir a casa. Custa-me a ideia de chegar lá e a tua cama estar vazia. Custa-me saber que dizer "o avô" é suficiente para me virarem as costas, porque cada um lida com a dor como pode, e a minha dor arde como fogo, mas chama por ti a cada segundo.

 

Tenho necessidade de falar de ti. Tenho necessidade de ver o teu sorriso quando ainda tinhas forças. Eu só queria que o mundo fosse de outra forma, só queria que te tivessem dado tudo o que precisavas, para além do imenso carinho que a tua família te dava.

 

Quem tratava de ti não via o meu avô, quem analisou os teus exames não via o homem que existia... Ninguém viu tudo o que um dia foste, e que deixaste de ser. Deixaste de o ser por culpa deles, só por culpa deles. Culpar a idade é ser hipócrita, porque a idade não ataca do dia para a noite, é um processo gradual, é algo que se vai notando e não uma chapada repentina.

 

A tua partida fez-me ter medo. Sei que não devia dizê-lo, devia manter-me calada, viver a minha vida e fingir que estou bem. Mas, avô... Eu não quero perder mais ninguém, consegues perceber isso?

 

Por muito que os dias sejam complicados, que me custe lidar com tudo o que vou sentindo, a dor não sai daqui... A dor fica, fica sempre. Aceitei que não podias ficar cá para sempre, embora eu o quisesse, mas não me consigo habituar... Achas que esse dia vai chegar?

 

Estejas onde estiveres, acredita em mim quando te digo que vou ficar bem. Estejas onde estiveres, está descansado, descansa tudo o que a vida não te permitiu descansar e confia nos ensinamentos que deixaste a cada um de nós.

 

Avô... Amo-te.

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